Movimento
migratório para o Brasil
Segundo o relatório do
Desenvolvimento Humano de 2009, feito pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
(PNAD), uma em cada 7 pessoas no mundo é migrante.
As causas das migrações podem ser
divididas em dois grandes grupos: a migração involuntária, de exilados e
refugiados que são forçados a deixar seu local de origem sem escolha; a
migração voluntária, que é a busca por melhores condições de vida, como a
migração de trabalhadores. Embora hoje as migrações sejam vistas como um
problema por muitas potências econômicas, a história destas deve muito a esses
movimentos.
Brasil
– rota de chegada
O Brasil é um país, historicamente, formado
por imigrantes por causa do processo de colonização ao qual foi submetido. A
imigração começou com a chegada de portugueses e, logo em seguida, a de escravos
africanos que foram trazidos à força de seu continente.
No final do século XIX, inicia-se a
entrada maciça de imigrantes no Brasil, até mesmo europeus, levantinos e
asiáticos. Esses outros povos vieram com o final do sistema escravista, já que
buscavam colocação como trabalhadores remunerados e não teriam a competição do
trabalhador escravo. Com a entrada de alemães, poloneses, italianos, belgas,
austríacos, suíços, ingleses e franceses, e a abertura dos portos no Brasil,
ocorre a mais vasta experiência de relações de raça e de cultura que o país
presenciaria.
No século XX, com as Guerras
Mundiais, o ciclo migratório torna-se irregular e o responsável pela maciça
entrada de, por exemplo, japoneses na cidade de São Paulo. Desse período até
hoje, houve a chegada de italianos, alemães e diferentes povos europeus
distintos, que se juntaram e formaram cidades conhecidas na região sudeste e
sul do Brasil.
No século XXI, o Brasil torna-se
novamente rota de imigrantes, graças ao crescimento econômico (chegada de
grandes empresas; alta no setor petroquímico), tanto dos demais povos latino
americanos quanto dos trabalhadores europeus, asiáticos e estadunidenses. O
país torna-se a terra da oportunidade também para jovens portugueses e
espanhóis que têm dificuldade de conseguir emprego em seus respectivos países,
devido à crise na região.
Conforme dados do Ministério da
Justiça, em 2010, em torno de um 961 mil estrangeiros de diversas
nacionalidades viviam de maneira regular e legal no Brasil. Entre eles, 270 mil
portugueses, 92 mil japoneses, 69 mil italianos, 58mil espanhóis, 39 mil
argentinos, 33 mil bolivianos, 28 mil uruguaios, 28 mil estadunidenses (entre
outros da América do Norte), 28 mil alemães, 27 mil chineses, 16 mil coreanos, 16 mil franceses, 13 mil
libaneses e 10 mil peruanos, enquanto o número de brasileiros no exterior
chegava a 4 milhões de pessoas. Atualmente, o número de imigrantes legais subiu
para 1,466 milhão e o número de brasileiros vivendo fora do país diminuiu para
2 milhões.
A coordenação Geral de Imigração
(CGig), órgão ligado ao Ministério de Trabalho e Emprego (MTE), mostra que
aproximadamente 56.006 profissionais estrangeiros foram autorizados a trabalhar
no Brasil em 2010. Sendo 53.441 dele autorizados com caráter temporário, com
estadia de até dois anos no país. No ano anterior, foram 42.914 autorizações de
trabalho concedidas.
Esse crescimento do número pode
ser relacionado aos crescentes investimentos no Brasil, especialmente nos
setores industriais: óleo, gás e energia. “Isso está caracterizado pela
aquisição de equipamentos no exterior e pela implantação no país de novas
empresas de capital estrangeiro. No setor industrial, por exemplo, o aumento
representa a expansão do nosso parque industrial, bem como a modernização e a
implantação de novas industrias.” [i] –
comenta o Coordenador Geral de Imigração do MTE, Paulo Sérgio de Almeida.
Entre profissionais estrangeiros
autorizados a trabalhar temporariamente no Brasil, 15.206 eram relacionados ao
trabalho a bordo de plataformas ou embarcações estrangeiras. Além disso,
ocorreu grande aumento no número de autorizações para turistas estrangeiros a
bordo de embarcações de fora. Esse setor teve forte crescimento nos últimos
anos, levando ao crescimento exponencial do número de vistos concedidos – de
algumas centenas em 2008 para 13 mil em 2010. “Também, neste caso, há um
percentual obrigatório de brasileiros que essas embarcações deve ter a bordo.
De todo modo, o setor industrial e de prestação de serviços são os que mais
demandam a vinda de profissionais estrangeiros” [ii],
avaliou Almeida.
As autorizações permanentes
foram, em maioria, concedidas a diretores, administradores, gerentes e
executivos com poderes de gestão e concomitância, sendo um total de 1.218
trabalhadores. Além disso, foram 848 autorizações em 2010 para investidores
físicos (pessoas).
Atualmente, o Brasil conta oficialmente
com um número maior de emigrantes do que imigrantes, embora o número de
imigrantes seja sempre inferior ao número real, já que não há como contabilizar
os que não contam com permanência legal, efetivamente. E são precisamente essas
pessoas não documentadas que mais sofrem na sociedade brasileira, necessitando
de garantia de efetividade de seus direitos civis.
Os principais destinos dos
imigrantes são: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás e Paraná. É
interessante também frisar que, de acordo com o Censo 2010, um número de
174.597 brasileiros que haviam migrado do país retornaram.
São vários os motivos que levam
trabalhadores a migrar, desde situações extremas, como guerra, perseguições
étnicas até fuga da pobreza e da fome. Essa busca por uma vida melhor e a
pobreza podem levar tanto à imigração ilegal quanto à legal; tanto à imigração
temporária quanto à permanente. Por obrigação ou vontade própria, ou até mesmo
por ambos os motivos, o homem busca o que lhe é melhor.
Um aspecto interessante e bem
marcante é que, em geral, os imigrantes tendem a manter traços, hábitos e
rotinas semelhantes aos que tinham em seus respectivos países. Isto se dá,
muitas vezes, pelo orgulho, pertencimento de sua própria cultura. Desde um
roupa diferente a uma festa ou seu idioma, muitos imigrantes reafirmam suas
diferenças e as assumem com orgulho de sua nacionalidade, sem perder suas
raízes. Ainda assim, há casos de imigrantes que se naturalizam e se assumem
brasileiros.
De acordo com o levantamento do
Departamento de Estrangeiros da Secretaria Nacional de Justiça, houve um
aumento significativo na concessão de residência definitiva ou permanência a
estrangeiros entre 2008 e 2010, no Brasil. O número subiu em quase o dobro, de
10.689 para 18.058 nesses dois anos.
O Departamento de Estrangeiros também
revelou números crescentes na concessão da nacionalidade brasileira por meio de
naturalização. Em 2010 foram 2.116, enquanto em 2008, 1.119.
Imigrantes
haitianos
Devemos levar em consideração os
motivos pelos quais o número de imigrantes no Brasil cresceu tento do ano de
2010 até atualmente. No ano em que, no país, a imigração cresceu 50% em apenas
6 meses (2010), houve no Haiti um desastre natural que praticamente devastou o
país. Muitas pessoas morreram, e os que sobreviveram perderam suas famílias, perderam
suas casas e, muito provavelmente, não tinham condições para reconstruir suas
vidas. Com isso, grande parte dos haitianos que sofreu como o incidente
resolveu recomeçar suas vidas em outros lugares, como, por exemplo, no Brasil.
Instalaram-se na região do Acre assim que chegaram e por lá muitos ainda estão.
Vieram
sem nada, com o desejo apenas de reconstruir suas vidas, e esses muitos vieram
de maneira ilegal, por meio de coiotes (homens que cobram para atravessar
imigrantes ilegais nas fronteiras para outros países). Embora um número de mais
ou menos 1,5 milhão de imigrantes haitianos, entre outros, seja legalizado no
país, boa parte desses estrangeiros passa por necessidades. Não possuem moradia
e muito menos emprego, e, devido a isso, muitos vêm vivendo como “escravos”.
Por mais que essas pessoas estejam utilizando o Brasil como refúgio, o governo
brasileiro não pode liberar legalmente a entrada de todos eles, já que são em
grande número e não poderiam ter o apoio necessário para viverem bem.
No
cenário brasileiro de chegada de imigrantes em busca de entrada no mercado de
trabalho nacional, a regra geral é basicamente que o país receba imigrantes de
nações com maior atraso no desenvolvimento econômico, principalmente de nações
sul-americanas, como Peru e Bolívia, fora outros países africanos
predominantemente de colonização portuguesa, como Cabo Verde e Angola. Eles
acabam, então, sendo alvo de exploração de empresas inidôneas (muitas vezes
desrespeitando os direitos humanos), predominantemente dirigidas por imigrantes
que acabam por manter o ciclo de exclusão a que foram inicialmente submetidos.
Existem
situações de preconceito em relação a estrangeiros. Esse é um problema que deve
ser comentado. São muitas pessoas para trabalhar e viver no Brasil além dos
brasileiros. É de se esperar que os brasileiros culpem os haitianos pela falta
de emprego, pois vários haitianos estão ocupando os lugares que “deveriam” ser
ocupados por eles.
Não é tão simples assim chegar em
um outro país e recomeçar. Além de estrangeiros e pobres, os haitianos são negros.
Além de sofrerem pela perda de suas casas ou até mesmo da família, acabam por
sofrer uma onda de preconceito tanto por sua cor, quanto por sua origem e
condição.
Essa afirmação de que os
brasileiros estão perdendo suas vagas de emprego para os haitianos é falsa, já
que as vagas ocupadas por esses imigrantes são de empregos sem carteira
assinada e com uma renda mínima, logo eles não ocupam empregos que exigem alta qualificação,
que são destinados à população brasileira. Esta, por sua vez, não atinge o nível
de qualificação exigida, não ocupando, então, tais cargos. As vagas destinadas
aos que têm qualificação adequada são pouquíssimas relacionadas ao número de
imigrantes haitianos.
Cerca de sete mil haitianos
entraram pelo Acre só em 2015, e muitos foram levados para São Paulo. Em junho,
o ministro da justiça, José Eduardo Cardoso, divulgou que o governo vai ampliar
a emissão de vistos em Porto Príncipe, capital do Haiti, para que imigrantes do
país possam entrar no Brasil legalmente. O objetivo da medida, segundo o
ministro, é combater a atuação de grupos que exploram imigrantes em rotas
clandestinas.
Abaixo, alguns exemplos de
exclusão e preconceito sofrido por imigrantes haitianos:



O Acre passa por uma crise humanitária que se deve muito ao fato de que
os imigrantes, de forma ilegal, são instalados em galpões que têm capacidade para,
no máximo, 200 pessoas e que estão recebendo 800 delas, que vivem em condições
extremamente precárias e insalubres, e a cada dia chegam em média mais 40
haitianos que se acumulam nesses lugares à espera de seu visto. A política de
acolhimento acaba trazendo uma crise social. E isso traz grandes problemas às
cidades em que isso ocorre, pois são cidades pequenas e sem estrutura para o
contingente de pessoas que chegam, o que faz com que ocorram superlotações em
hospitais, quando há tratamento, de pessoas com doenças transmitidas pela água
e pela insalubridade do ambiente em que vivem. Muitos governantes já decretaram
estado de emergência humanitária por esse motivo.
Os vídeos a seguir mostram um pouco da "transferência" desses imigrantes que saíram do Acre e vieram para São Paulo:
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/06/sp-recebe-novo-grupo-de-haitianos-vindo-do-acre.html
http://g1.globo.com/jornal-nacional/videos/t/edicoes/v/mais-de-500-imigrantes-haitianos-ja-passaram-por-igreja-em-sp-desde-o-inicio-do-mes/3303466/
Imigrantes
africanos
O Brasil se tornou rota
prioritária de refúgio de africanos que, muitas vezes, fogem da guerra civil.
Isso decorre do fato de muitos países da África terem, como língua oficial, o
português, como no caso de Angola, uma das principais nacionalidades de
imigrantes que o Brasil recebe da África. Além disso, existem políticas de
parceria e cooperação entre países do continente africano e o Brasil em relação
ao constante intercâmbio estudantil por parte de africanos em universidades
brasileiras. E nem poderia ser diferente, já que o regime escravocrata,
felizmente, foi apenas um capítulo trágico da rica e importante influência dos
africanos sobre a cultura brasileira. Os negros são de extrema importância e
fundamentais para a famosa mestiçagem do povo brasileiro, são parte da herança
cultural e genética do país, em uma relação cujos elementos se fazem presentes
em diversos setores.
Trata-se, em muitos casos, de
simples sobrevivência. Os imigrantes viajam, em sua maioria, em navios
cargueiros sem conhecimento do destino final da viagem. São denominados
refugiados espontâneos pelo coordenador geral do CONARE, comitê brasileiro para
os refugiados, Renato Leão. Brasil, Argentina e México ainda mantêm as portas
abertas aos imigrantes africanos, que vêm principalmente da parte do Senegal,
Costa do Marfim, Nigéria, República do Congo, além da Somália, Etiópia e Eritreia.
Acredita-se que africanos venham
em cada vez maior número para a América Latina, mesmo ainda sendo um número
pequeno se comparado aos milhares que viajam para a Europa todos os anos. “Há
uma procura por novos destinos” [iii],
comenta Carolina Podestá acrescentando a informação de que muitos foram
pressionados pelas políticas de emigração e segurança mais restritas da Europa.
O responsável do ACNUR explica que “Estamos perante uma tendência que se
manterá por várias razões, entre elas o endurecimento das medidas migratórias
nos países tradicionais de asilo, e também por certa oportunidade migratória e
de abertura nos países do Sul da América Latina, que têm uma larga tradição de
asilo.” [iv]
Os africanos são, atualmente, o
maior grupo de refugiados no Brasil, representando 65% do total dos que vêm em
busca de refúgio, segundo dados do CONARE. Na década de 90, um grande número de
angolanos fugiu da guerra civil que acontecia em seu país e se estabeleceram em
comunidades do Rio de Janeiro. O país é visto como de fácil adaptação para os
emigrantes, já que possui população negra em maior número, a não ser pela
África, e levam a um número cada vez maior de emigrantes vindos da República do
Congo, que fogem da guerra civil e da violência. A guerra civil da Angola,
denominada Bildunterschrift, durou até 2002 e por isso foi um dos países que
mais teve refugiados vindos ao Brasil.
Assim que os imigrantes se
registram como refugiados, o Brasil passa a lhes oferecer vantagens, oferecendo
automaticamente um documento que permite e garante o direito de trabalhar. Os
mesmos direitos de um cidadão brasileiro, depois de confirmado o pedido de
asilo, é garantido ao estrangeiro podendo utilizar recursos e serviços públicos
oferecidos, como escolas e hospitais.
Enquanto na Europa o país de
origem é analisado considerando o grau de segurança antes do auxílio, e a
burocracia costuma ser demorada, o governo brasileiro agiliza o processo. Mesmo
tendo permissão para trabalhar, isso não significa que o imigrante vai
necessariamente encontrar um trabalho. Além do desemprego, eles se deparam com
outros problemas pelos quais o Brasil é conhecido: a violência e a insegurança as
grandes cidades.
Imigrantes
asiáticos
No começo do século XX, teve
início a imigração japonesa, em função de um acordo entre os governos
brasileiro e japonês. O Japão com seus problemas de superpopulação e o Brasil
necessitando de mão de obra para os cafezais. A colônia japonesa do Brasil é a
maior do mundo, composta por 1,5 milhões de nikkeis – japoneses e seus
descendentes.
Com a Segunda Guerra Mundial,
houve o fim da imigração japonesa, que só voltou a crescer com o fim da guerra.
Entretanto, o Brasil havia declarado guerra ao Japão e a imigração foi
proibida. Os imigrantes que já haviam se estabelecido foram perseguidos pelo
governo do presidente Vargas, que proibiu o uso da língua japonesa em
território nacional, e qualquer manifestação da cultura era considerada crime.
“O Brasil é visto como nova rota
para chineses em busca de um novo país”, afirma a presidente da Associação
Chinesa do Brasil. Os que vêm já visam empregos em São Paulo e, muitas vezes, a
passagem é paga pelo empregador. Em alguns outros casos, famílias pobres
investem tudo o que têm em coiotes para virem de forma ilegal ao país. Em julho
de 2012, a Polícia Federal prendeu, na Uruguaiana (RS), dois atravessadores
chineses que tentavam cruzar a fronteira com outras 12 pessoas de mesma
nacionalidade.
São comuns os casos de exploração
dos imigrantes, que são raramente vistos pelas autoridades brasileiras, sem
mencionar a urgência em arranjar um emprego e levar anos para pagar os gastos
da viagem. “Os chineses encaram uma situação inferior como um meio para
melhorar” [v],
afirma padre Thomas Xiao que reza missas aos domingos em mandarim na Vila
Olímpica.
A comunicação de quem fala
mandarim e já está estabelecido no Brasil há mais tempo com quem fala cantonês
(língua falada na China) é muito difícil. O comércio é o mais buscado pelos
recém chegados por não necessitar obrigatoriamente de falar em português. Torna-se
comum aos comerciantes mais antigos, a contratação de brasileiros, o que acaba
por amenizar o problema da dificuldade de comunicação entre comerciante e
cliente.
Em 2009 eram 28.526 chineses
legalizados no Brasil, até que há o aumento de 21,4% desse número que sobe para
34.653, segundo o Ministério da Justiça. Não há uma estimativa para a quantidade
de imigrantes ilegais.
Os indianos são as novas levas de
imigrantes em São Paulo. Ocupam o comércio, área de tecnologia, indústria
farmacêutica e química. Vêm em busca de novas oportunidades de negócios e
formam a chamada comunidade estrangeira que mais cresce. De 2008 a 2009 o
número de indianos solicitando vistos de trabalho cresceu em 32%, de acordo com
os Números do Ministério do Trabalho e Emprego.
Apenas uma das maiores empresas
de informática da Índia, Tata Consultancy, trouxe cerca de 200 indianos para
trabalhar em escritórios em São Paulo. Para engenheiros,
o Brasil é um centro de oportunidades. “Nós despertamos para o potencial do
Brasil somente agora”[vi],
afirma executivo da United Phosphorus, Lalit.
Atualmente, cerca
de 2.477 indianos vivem no Brasil, em sua grande maioria em São Paulo. O
Consulado Geral da Índia se surpreendeu com os dados e os qualificou como os
“novos imigrantes no Brasil”.
Imigrantes
europeus
Muitos imigrantes, vindos
em geral da região da África e Ásia, têm dificuldade de se encaixar na
Sociedade Civil; segundo Gramsci, a sociedade civil é vista como um organismo
não estatal ou privado, que pode incluir a economia, por exemplo. A crise atual
do capitalismo provoca alterações profundas na vida de cidadãos americanos e
europeus e na economia. Graças a ela, muitas instituições financeiras fecharam
suas portas. Além disso, as políticas de seguridade social foram fortemente
contidas e, como ocorreu na Espanha, os salários diminuíram.
A situação provocou
desemprego e deixou muita gente sem perspectivas econômicas, levando
trabalhadores qualificados a buscar um novo campo de trabalho em países
emergentes, como o Brasil. Europeus chegam à América Latina buscando trabalho,
melhores condições de vida, enfim, buscando esperança de futuro. São todos bem
recebidos e ninguém é devolvido para seu país, diferentemente dos milhares que
tentam chegar, em precárias embarcações, às costas da Europa.
Não há, no Brasil,
para os imigrantes europeus, negação de documentos, como ocorre com milhares de
latino-americanos que tentam se fixar na Europa, muitos submetendo-se a
condições subumanas por lá. São todos recebidos aqui, tanto haitianos, quanto
sírios e muitos outros que buscam refúgio e trabalho, apesar dos diversos
problemas e questionamentos que acabam causando (principalmente em relação à
ocupação dos postos de trabalho) e do sofrimento por que muitos passam, em
geral, os haitianos.
As entidades sociais
que mais ajudam na integração dos imigrantes são, geralmente, as que estão mais
perto de sua realidade social, já que esses grupos acabam sendo os mais
vulneráveis, e cabe às mesmas, em parceria com outras instituições, reconhecer
a dificuldade e ajudar na adaptação do imigrante. O processo de integração
ocorre em nível local, geralmente com apoio de ONGs e outras instituições
semelhantes.
“Nós temos uma legislação ainda dos anos 80, que foi construída na época
pré-democracia, focada na antiga doutrina de segurança nacional. Agora estamos
construindo uma nova legislação, com foco nos interesses do Brasil moderno.
Para que o imigrante, ao vir para cá, possa se desenvolver e contribuir para o
nosso país. Os direitos humanos são o eixo central desta nova visão da política
migratória brasileira”, explica Paulo Sérgio. [vii]
Diversidade
na grande São Paulo
Na Liberdade, tecidos africanos
se misturam às barracas de temaki, tempurá e pastel. A Rua Coimbra, onde no
começo do século anterior circulavam jornais em italiano, hoje possui uma
grande concentração de imigrantes bolivianos. Os vários letreiros de diversos
pontos comerciais anunciam seus produtos característicos: peluquerías,
restaurantes oferecem “salteñas” e “pollo” – nosso popular frango.
Nessas ruas, em pouco mais de 300
metros vivem mais de 100 famílias bolivianas. Durante todo o dia, são vendidos
pães artesanais, conhecido por nós como pão francês. “Os pães aqui são feitos
na máquina. Lá a gente gosta de comer as coisas naturais.” [viii]
O senso de comunidade extremamente
fechada reforçado pela língua diferente do português, dificulta a integração
que os chineses não parecem almejar. São prédios comerciais inteiros no centro
de São Paulo dominados por eles, que vendem objetos tecnológicos.
Um dos fatores que mais dificulta a
assimilação de hábitos culturais diferentes pelos brasileiros é o preconceito.
Como exemplo, a comunidade boliviana comemora a notícia de que a prefeitura
pretende colocar a feira da Alasita no calendário oficial, que ocorreria no ano
que vem no Parque Dom Pedro, em 26 de janeiro. A oficialização abre espaço para
expectativas de eventos, incluindo de gastronomia, festas tradicionais
italianas (como a Achiropita), e o Ano Novo Chinês, na Liberdade. “A prefeitura
não tem que dizer se eles vão interagir ou não, se tem que abrir a comunidade
ou não. Tem que ter presença do Estado para transformar os espaços em espaços
de todos”, explica Illes, coordenador paraguaio de Políticas para Imigrantes da
Secretaria de Direitos Humanos da prefeitura de São Paulo.
“Claro que vocês dizem que aqui é o
país de todos, quem vai falar mal do próprio país? Mas não é não, tem muito
racismo aqui” [ix],
comenta Beugue Fallou Touré, senegalês.
“Em São Paulo, dizem que o Sul é
mais racista, mas não. Lá tratam a gente melhor que aqui. O racismo é uma
doença. Já nasce com as pessoas que têm sangue ruim.” [x]
Afirma Fallou
“Todo africano tem filho. Pode não
registrar, mas que tem, tem.” [xi]
Illes firma que a taxa de natalidade dos paulistas se estabilizou em três
filhos ou menos por família, enquanto entre imigrantes, ainda é entre quatro a
cinco crianças, alta. “Já temos bolivianos casados com brasileiros, brasileiros
casados com paraguaios, peruanos, ou entre eles. É uma nova cara para o Brasil” [xii],
afirma Illes.
Fontes
de pesquisa
[i] http://geografia.uol.com.br/geografia/mapas-demografia/46/artigo273480-1.asp
[ii] http://geografia.uol.com.br/geografia/mapas-demografia/46/artigo273480-1.asp
[iii] http://www.alem-mar.org/cgi-bin/quickregister/scripts/redirect.cgi?redirect=EkykZlEEplERhzgZCE
[iv] http://www.alem-mar.org/cgi-bin/quickregister/scripts/redirect.cgi?redirect=EkykZlEEplERhzgZCE
[v] http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-e-a-bola-da-vez-para-chines-imigrante-imp-,915194
[vi] http://folhaserrana.blogspot.com.br/2010/07/indianos-os-novos-imigrantes-no-brasil.html
[vii] http://www.ebc.com.br/noticias/politica/2012/11/entenda-a-imigracao-no-brasil-no-sec-xxi
[viii]
http://folhaserrana.blogspot.com.br/2010/07/indianos-os-novos-imigrantes-no-brasil.html
[ix] http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2014/01/fluxos-migratorios-recentes-ja-somam-novos-tracos-a-sao-paulo-2184.html
[x] http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2014/01/fluxos-migratorios-recentes-ja-somam-novos-tracos-a-sao-paulo-2184.html
[xi] http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2014/01/fluxos-migratorios-recentes-ja-somam-novos-tracos-a-sao-paulo-2184.html
[xii] http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2014/01/fluxos-migratorios-recentes-ja-somam-novos-tracos-a-sao-paulo-2184.html
Alunos: Andressa Azevedo, Beatris Pinheiro, Carlos Daniel, Clara Dutra, Thais Gaudard.